Câncer de próstata avançado: estudo identifica alterações genéticas que podem orientar tratamentos

Um estudo americano publicado em 2026 na revista Clinical Genitourinary Cancer identificou alterações genéticas relacionadas a opções de tratamento em 67 dos 150 pacientes avaliados com câncer de próstata avançado. O resultado representa cerca de 45% dos participantes e reforça o papel dos testes genéticos na investigação de características do tumor que podem ajudar a orientar decisões terapêuticas.

A pesquisa analisou homens com câncer de próstata metastático resistente à castração, condição em que a doença já se espalhou para outras partes do organismo e continua avançando apesar dos tratamentos destinados a reduzir a produção ou a ação da testosterona. Para Arthur Silva, gerente de produtos para a América Latina na QIAGEN, os resultados chamam atenção para a importância de investigar o perfil genético de cada tumor.

Apesar de ser mais comum após os 60 anos, o câncer de próstata também pode afetar homens mais jovens (Imagem: insta_photos | Shutterstock) por Imagem: insta_photos | Shutterstock

“Pacientes com o mesmo diagnóstico podem apresentar alterações genéticas diferentes. Investigar essas características ajuda a equipe médica a avaliar se existe uma opção de tratamento direcionada ao perfil daquele câncer, considerando também os tratamentos anteriores e as condições clínicas do paciente”, explica.

Estudo combinou três formas de análise genética

A pesquisa utilizou três abordagens para investigar alterações genéticas:

  • Testes hereditários: identificam alterações genéticas presentes desde o nascimento;
  • Análise do tecido tumoral: investiga alterações no material coletado do câncer;
  • Biópsia líquida: pesquisa fragmentos de DNA liberados pelo tumor na corrente sanguínea.

Apenas 72 participantes tiveram resultados obtidos a partir do tecido tumoral, o que evidencia a dificuldade de conseguir material adequado para o sequenciamento. A maior parte das alterações foi identificada nas análises de sangue. Outro dado observado pelos pesquisadores surgiu na repetição dos exames.

Entre os 40 pacientes que realizaram uma nova análise sanguínea após a progressão da doença, cerca de 15 apresentaram alterações adicionais. Os medicamentos associados às alterações encontradas já possuem aprovação nos Estados Unidos. No Brasil, a possibilidade de utilização depende da avaliação médica, das indicações aprovadas e da disponibilidade dos tratamentos.

Como o sequenciamento genético pode ajudar?

O sequenciamento de nova geração, conhecido pela sigla NGS, permite analisar vários genes simultaneamente. A tecnologia pode ser utilizada tanto para investigar alterações hereditárias associadas à predisposição ao câncer quanto para identificar características do tumor que ajudem a orientar a escolha do tratamento.

As análises hereditárias procuram alterações presentes desde o nascimento. Além de contribuir para o planejamento terapêutico, os resultados podem indicar a necessidade de aconselhamento genético e avaliação de familiares. Já os testes tumorais investigam características adquiridas pelo câncer ao longo do desenvolvimento da doença.

Essas informações podem ajudar a identificar alterações para as quais existem terapias direcionadas.“São avaliações que respondem a perguntas diferentes e podem se complementar. A investigação hereditária pode revelar informações importantes para o cuidado da família e para o tratamento do paciente. A análise do tumor amplia a busca por alterações que possam orientar decisões terapêuticas, mesmo quando não existe histórico familiar de câncer”, afirma Silva.

A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) publicou, em 2025, uma diretriz que recomenda análises genéticas hereditárias e do tumor para pacientes com câncer de próstata metastático. A orientação também prevê considerar uma nova investigação em situações específicas, como resultados anteriores inconclusivos ou mudanças importantes no quadro clínico.

Essa recomendação dialoga com um dos achados do estudo americano: a identificação de novas alterações genéticas em parte dos pacientes que repetiram a análise do sangue após a progressão da doença.“Encontrar uma alteração genética não gera uma indicação automática de medicamento. É necessário verificar se há evidência de benefício naquele contexto e interpretar o resultado junto com as demais informações clínicas. Para o paciente com doença metastática, conversar com a equipe sobre esses exames pode ajudar a esclarecer quais informações ainda são necessárias para planejar o cuidado”, conclui Silva. 

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