O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (21)
que a Índia e o Brasil são as duas maiores democracias do chamado "Sul
Global", uma declaração que exclui a China deste sistema de governo.
"O
encontro entre Índia e Brasil é uma reunião de superlativos. Não somos
apenas as duas maiores democracias do Sul Global. Este é o encontro da
farmácia do mundo com o celeiro do mundo", disse o presidente ao lado do
primeiro-ministro Narendra Modi em Nova Déli, na Índia.
Durante
sua passagem pela cidade, o presidente já havia feito o mesmo
comentário. Na sexta (20), em entrevista ao India Today, ele falou que
os países são os mais representativos desse sistema de governo no "Sul
Global".
A fala exclui o maior parceiro comercial do Brasil, uma
vez que a China afirma ser uma democracia enquanto é avaliada por
pesquisadores, jornalistas e analistas como uma ditadura, uma autocracia
ou uma forma de governo que não dialoga com a democracia liberal
multipartidária.
A nação é a segunda mais populosa e a segunda maior economia do mundo.
Órgãos
internacionais como o Freedom House afirmam que a China não é um país
livre, com base na avaliação de diversos marcadores, como liberdade de
expressão, de atuação política, de práticas religiosas e de imprensa. Em
uma escala de até 100 pontos no índice da instituição, o país asiático
acumula nove.
"O secretário-geral do PCCh [Partido Comunista
Chinês], Xi Jinping, consolidou o poder pessoal a um nível nunca visto
na China em décadas. Após anos de repressão à dissidência política, às
organizações não governamentais independentes e aos defensores dos
direitos humanos, a sociedade civil chinesa foi amplamente dizimada",
diz a entidade.
Pequim possui um sistema de governo de partido
único, que impede siglas menores de concorrer em eleições, eliminando a
possibilidade de alternância partidária.
O país também é
criticado pelas restrições a liberdades políticas e a direitos humanos
impostas à sua população. Não são permitidos veículos de mídia privados,
embora jornalistas internacionais possam atuar no território. Há ainda
restrições a associações civis e à oposição partidária.
Pequim
também limita o acesso de seus cidadãos a redes sociais como WhatsApp,
TikTok e Instagram, além de monitorar a publicação de conteúdo online e
censurar informações contrárias ao regime.
Por Victoria Damasceno / Folhapress
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