
A consultora de moda e apresentadora Gloria Kalil usou as redes sociais para sair em defesa de Henrique Borges, jovem que denunciou ter sido vítima de agressão e racismo durante um evento realizado no Candyall Guetho Square, espaço cultural ligado ao músico Carlinhos Brown.
Em seu depoimento, ela relatou que encontrou o pai da vítima e deu detalhes do ocorrido. "O filho dele tava com a namorada. Num determinado momento, a namorada pediu... viu que tinha umas bebidas no chão, eles estavam num lugar VIP de convidados, etc. Pediu pro menino pegar um refrigerante, uma coisa assim. E o menino foi numa geladeirinha ou numa mochila, não sei bem onde é que tava, e foi pegar quando ele levou um tranco, um empurrão, e alguém dizendo: 'Tira a mão daí, ladrão! Seu vagabundo!'".
Em sua publicação, Gloria elogiou a postura do jovem por seguir adiante com a denúncia mesmo diante da exposição pública do caso. A apresentadora também demonstrou apoio à tentativa da defesa de Henrique de fazer com que a investigação seja analisada sob a ótica racial.
Ela ainda criticou a postura dos responsáveis pelo Candyall em relação ao caso.
"O menino ficou todo machucado, ensanguentado. O Paulo chegou, bom, chamaram a polícia. Muito contra a vontade do pessoal do Candyall, que fez o maior corpo mole. Chegaram na delegacia, o sujeito também parecia que era até conhecido, todo mundo tratando ele com alguma deferência. E o Paulo e o menino resolveram levar essa história até o fim. Bom, finalmente a coisa entrou na questão do racismo e o processo está rolando. Nós estamos todos de olho".
A repercussão do caso ganhou força após uma reportagem da revista “Piauí” detalhar o episódio envolvendo o estudante de artes dramáticas, de 20 anos, filho adotivo do empresário Paulo Borges, criador da São Paulo Fashion Week.
Segundo o relato do estudante, a situação aconteceu em janeiro deste ano, durante uma festa no Candyall Guetho Square. Henrique contou que estava em uma área VIP do evento acompanhado da namorada, como convidado, quando pegou uma lata de energético acreditando que as bebidas disponíveis eram liberadas para os presentes do camarote.
Ainda de acordo com a denúncia, o professor de karatê Décio Caribé de Castro Júnior teria reagido de forma agressiva, chamando o jovem de “ladrão” e “vagabundo” diante de outras pessoas. Pouco depois, Henrique afirma ter sido seguido até o banheiro do local, onde acabou agredido com socos no rosto.
O estudante registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito. Inicialmente, porém, o caso foi tratado apenas como lesão corporal. A defesa do jovem argumenta que houve motivação racial na abordagem e pediu que a investigação seja analisada pelo Ministério Público da Bahia sob a perspectiva de crime de racismo.
Os advogados sustentam que Henrique foi imediatamente associado a uma prática criminosa por ser um homem negro, mesmo estando em um espaço VIP como convidado. O caso foi encaminhado ao Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do Ministério Público baiano.
Após a repercussão da denúncia, Décio Caribé se pronunciou publicamente pela primeira vez por meio de nota divulgada pela defesa. O professor negou qualquer motivação racista ou homofóbica e classificou o episódio como um “desentendimento pontual”.
O ocorrido decorreu de um desentendimento pontual, iniciado após a retirada de bebidas de uso individual sem autorização em área de camarote VIP pago, circunstância que gerou discussão e posterior conflito físico. A defesa reconhece a seriedade de qualquer apuração envolvendo violência, mas repudia, com igual firmeza, a tentativa de transformar, sem prova objetiva de motivação discriminatória, um conflito individual em crime de ódio”, complementa.
Segundo a equipe jurídica, a discussão teria começado após a retirada de bebidas “de uso individual” em uma área VIP paga. A defesa afirmou ainda que não houve palavras ou atitudes discriminatórias e criticou o que chamou de “linchamento virtual” nas redes sociais.
A nota também destacou a trajetória de Décio no esporte baiano, ressaltando décadas de atuação nas artes marciais. “Sua história não pode ser destruída por julgamentos precipitados”, diz um trecho do comunicado.
A Associação de Karatê da Bahia também saiu em defesa do professor. Em nota oficial, a entidade afirmou que o episódio já havia sido submetido à apreciação policial e repudiou tentativas de associar o caso a crime racial sem “lastro probatório”.
O caso gerou grande reação nas redes sociais e mobilizou nomes conhecidos do meio artístico. A atriz Luana Piovani publicou uma série de vídeos demonstrando indignação com o episódio.
“Como é que pode a Bahia ser o estado autodeclarado mais negro desse nosso Brasil e o poder estar só nas mãos dos brancos?”, questionou a atriz.
Em outro momento, Luana afirmou que o episódio reflete uma sensação de impunidade diante de casos de racismo. “O que eu não conformo é como um homem branco se sente à vontade de agredir um menino negro num lugar negro”, declarou.
Informações BNEWS
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